Avessos Delírios
Auber Fioravante Junior


Ao lamento do piano
quero descrever, desenhar,
envolver-me ainda mais
neste ballet de letras e luzes.
d’onde desnudo-me, é como
estar no ar com os pés cravados
nos avessos delírios d’alma,
do orvalho que deixa na pele
à estrela de Davi,
a cortina da próxima poesia!


Na melancolia dos violinos,
quero esboçar, entalhar,
tornar real, as chamas ao vento,
nesta sincronia humano-espiritual,
d’onde ouço minha voz interior,
meu escrivão do sol
meu escriba da lua!


Sou amigo das intempéries,
ao chegar do coral, na sutileza
do cantar, do navegar, nas águas
da paixão, do amor, que reina
e sempre reinará
na crista da onda,
em corações e mentes
que deixam aqui, a palavra,
para o jardim do amanhã!




01/09/2008
Porto Alegre - RS

 

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