Soneto do
desmantelo azul…
Então, pintei
de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as
ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as
minhas mãos e as tuas.
Para extinguir
em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas
gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre
os vestidos e as gravatas.
E afogados em
nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso
espaço
pudesse haver de azul também cansaço.
E perdidos de
azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.
Carlos Pena
Filho (1929-1960)
