Cordel do niver da Sapeka:
CONTO DE FADAS & BRUXAS

Existe um velho ditado
Que até faz algum sentido
Que a gente quando envelhece,
Seja a mulher ou o marido,
Volta-se com esperança
Ao tempo que era criança
Relendo o livro já lido.

Por conta da citação
Eu me peguei a pensar
Nessa festa da Sapeka
E não tem como negar:
Porque toda velharada
Parecia criançada
Que fazem arrepiar!

É pena que o entrevero
Não pode ser no sereno
Porque criança (já sabem...)
Tomar sereno é veneno!
Então deu-se no alarido
O prosuê pretendido
No recinto pouco ameno.

Mesmo assim valeu a pena
E quem não foi só perdeu
Primeiro falo da Esther
Que só agora conheceu
Essa turma do barulho
Para a qual não tem bagulho
Que não deu jeito ou venceu.

E nesse conto de fadas
Não poderia faltar
Sabugosa mais Emília
Que só fizeram brigar.
Falando das tais mesinhas
Que emagrecem menininhas
E tomam sem resultar.

Capitão Gancho sorria
Feliz com o tal alvará
Que Neidinha concedeu
Porque foi pra BH.
(É hoje que eu me dô bem!)
Pensava o nosso nenem
E abraça de lá e de cá!

Chegou lá da capital
Fada Bela e Rapunzel
Tinham pose de donzelas
Fazendo bem o papel.
Mas no dia de amanhã
Rapunzel arranjou um fã
Que quase lhe deu o nobel.

Para Ana Maria Braga
Teve mudada a comenda
Quem foi Shirley Mac Laine
Parece até reprimenda
Até porque era mais certo
Que dela estava mais perto
A estrela antiga e caduca.

Eu não quero falar mal
Prometi me comportar
Mas é que os brincos da moça
Fada Bela tem que olhar
Porque ela mistura as cores
E vira um circo de horrores
Verde e amarelo a usar.

Também mistura bitucas
No cinzeiro, atrapalhada
Já nem sabe qual é a sua
Rapunzel tá avariada.
Coitada da Dona Braga
Sua memória tá uma draga
Deve estar apaixonada...

Essa não é a minha Dani
É a Dani do Solitário
A Jupira é da Sapeka
Onde Deus foi perdulário.
Tal parelha, com justiça
Mesmo sendo irmã postiça
Iluminou o aniversário.

Guida brilhou como sempre
Sem querer bater retrato
Receosa da madrasta
Que lhe apronta desacato.
Mas posou brilhantemente
De lado, costas e frente
E não vai pagar o pato.

(Luiza Sampaio)

Essa quarta mosqueteira
Fez bonito no pedaço
Que de bela adormecida
Não lhe resta nenhum traço
Bonita e forte guerreira
É uma doce companheira
Boa de copo e de abraço.

Temos aqui o casal vinte
Que receio apelidar
Com medo de ano que vem
Ninguém mais me convidar
Mas Romeu e Julieta
Daria bem nessa treta...
Melhor não podia dar!
 
Mas aqui abro um à parte
Que resistir não dá não
Na hora de pagar a conta
Tem estranha solução
Quem comeu paga a bendita
Mas quem vem pedir marmita
Também paga o seu quinhão.

E eu não lembro seu nome
Mas até esse menininho
Pagou os olhos da cara
Por conta de um cafezinho
Que o coitado pensou
Que era de graça e tomou
Custou-lhe um bom dinheirinho.

E eis aqui a tal madrasta
Jabiraca, perdigueira
Podem me chamar de tudo
Não chamem de fofoqueira
Eu só relato o que eu vejo
Mesmo que seja um lampejo
Tá na mão da cordeleira!

Agradeço a companhia
Dessa gente "bom astral"
Até o próximo encontro
Se Deus quiser, é fatal
Seja aniversariando
Seja motivo inventando
Teremos logo outro igual.

Só para descontrair
Deixo aqui uma oração
Chamando todos os santos
Do mansinho ao valentão
- Pra essa terra de viúva
Mandai homem e não chuva!
Que é a nossa precisão!

Santos, 27/junho/2008

www.amoremversoeprosa.com
"Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos."
Bertrand Russell

Arte e Formatação: Tere Penhabe

 

Voltar