Poetas na noite santista
(maio2008)
Tere Penhabe

Um novo encontro santista,
Teve lugar na cidade,
Com gente de todo jeito,
De todo gosto e idade,
Desta vez velhos amigos,
Dos encontros mais antigos,
Vieram matar saudade.

Só uma noitada gostosa,
No Espetinho Floriano,
Como nos bons velhos tempos,
Rasgando sedas e pano,
Mas o que rola é cerveja,
Poesia não há quem veja,
Verso por lá é tirano.

Vou relatar as presenças,
Não tinha nenhum Apolo
Não compareceram todos,
Teve gente que deu o bolo,
Mas não faltou "casal vinte"
Que esbanja charm e requinte,
Com prazer aqui eu arrolo.

O Marcial e a Neidinha,
Eliana e Zé Luiz,
Naida e Guida sem parelha,
Tere como sempre quis,
Cici sempre chiquetosa,
Nem deu veneno na prosa,
E é a venenosa quem diz.

A dama da rosa rubra,
Não mudou seu ritual,
Dando um bico na cerveja,
Com um pé lá no quintal,
Porque a tal bexiga frouxa,
Nem que a rosa fique roxa,
Continua sempre igual.

Teve um lance esquisito,
Constrangedor pra contar,
Mas não pensem mal depressa,
Esperem eu me explicar,
O fato é que a garçonete,
Sabendo que lhe compete,
Passou talco em Bera Mar.

Nenhuma delas é bi,
(Isso é maledicente!)
É que um espeto atrevido,
Caiu na beca da gente,
Pra abrandar a desventura,
Passou talco na gordura,
Mas tudo assim, gentilmente.

Mas não é nada gentil,
O que vejo acontecer,
Pezinho embaixo da mesa,
Que faz a terra tremer,
Pra chute, aquilo é um pulo,
Quanto mais cerveja engulo,
Mais chute estou a receber.

Eu acho que é alguma senha,
Preciso até perguntar,
Deve ser para que eu possa,
Noutro dia me lembrar,
De alguma prosa abestada,
Que ali mesmo foi falada,
E alguém chuta a Bera Mar.

Mas depois vem a amnésia,
E ninguém lembra de nada,
Tanto faz a artilheira,
Quem não é bola e foi chutada,
Chegando o dia seguinte,
Dois mais dois passa de vinte
Sobra só perna lascada.

O diabo é o fim da noite,
Que tem mico pra pagar,
Dessa vez não foi o turco,
E nem vento pra ventar,
Mas o pobre taxista,
Com as clientes da lista,
Riu que chegou a se engasgar.

Estava indo até bem,
Sem mote pra cordelar,
Mas na entrega das moçoilas,
Começou a complicar,
Espera que espera e nada,
Uma delas atolada,
Sem chance de se aviar.

Já tava de prontidão,
Pro caso de precisar,
Uma leve empurradinha,
Pra bela desentalar,
Mas eis que um bombardeio,
Disparou ali no meio,
Da Riva cheguei a lembrar.

Parecia mil canhões,
Mais uns mísseis de lambuja,
Quem passasse lá de longe
Pensaria em cueca suja.
E o taxista, coitado,
Todo torcido e dobrado,
Sem resquício de rabuja.

Bem que o tal moço tentava,
Educação aparentar,
Fingindo de surdo mudo,
O carro quis engatar,
Mas cadê que o bicho pega,
Engasga e dá-lhe uma esfrega,
E o piloto a gargalhar!

Olha gente, não é fácil!
Com essa turma passear,
Eu faço tudo que posso,
Pra não ter o que contar,
Mas parece até uma praga,
Fim de noite é sempre draga,
E não adianta caprichar.

Quando fui pagar o taxi,
O moço olhou assombrado:
- Quê qué isso mi'a senhora?!
Sou eu que pago e dobrado.
Pode até ter quem duvida,
Nunca ri tanto na vida,
Se eu cobrar sou um safado!

Eu juro por todo santo,
Não sou de caluniar,
O meu sonho nessa vida,
É cordel não me inspirar,
Mas a lady peidorreira,
Foi mesmo fim de carreira,
Não dava pra ignorar.

Vou encerrando por aqui,
Para o caldo não entornar,
Porque eu já prometi,
Que a ninguém vou entregar,
Conto o milagre, entretanto,
Quem quiser saber o santo,
Tem que vir investigar.

Santos, 24.05.2008
www.amoremversoeprosa.com




midi: Sinhazinha __ Dilermando Reis
Arte e Formatação: Tere Penhabe
 

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